sábado, 19 de setembro de 2009
Hino a Pã de Fernando Pessoa
Seguem abaixo a "tradução" e o link...
Hino a Pã
por Aleister Crowley
"Hino a Pã" é o prefácio do livro "Magick in Theory and Practice". Esta tradução foi feita por Fernando Pessoa e publicada em outubro de 1931, em seu livro "Presença"
Vibra do cio subtil da luz,
Meu homem e afã
Vem turbulento da noite a flux
De Pã! Iô Pã!
Iô Pã! Iô Pã! Do mar de além
Vem da Sicília e da Arcádia vem!
Vem como Baco, com fauno e fera
E ninfa e sátiro à tua beira,
Num asno lácteo, do mar sem fim,
A mim, a mim!
Vem com Apolo, nupcial na brisa
(Pegureira e pitonisa),
Vem com Artêmis, leve e estranha,
E a coxa branca, Deus lindo, banha
Ao luar do bosque, em marmóreo monte,
Manhã malhada da àmbrea fonte!
Mergulha o roxo da prece ardente
No ádito rubro, no laço quente,
A alma que aterra em olhos de azul
O ver errar teu capricho exul
No bosque enredo, nos nás que espalma
A árvore viva que é espírito e alma
E corpo e mente - do mar sem fim
(Iô Pã! Iô Pã!),
Diabo ou deus, vem a mim, a mim!
Meu homem e afã!
Vem com trombeta estridente e fina
Pela colina!
Vem com tambor a rufar à beira
Da primavera!
Com frautas e avenas vem sem conto!
Não estou eu pronto?
Eu, que espero e me estorço e luto
Com ar sem ramos onde não nutro
Meu corpo, lasso do abraço em vão,
Áspide aguda, forte leão -
Vem, está fazia
Minha carne, fria
Do cio sozinho da demonia.
À espada corta o que ata e dói,
Ó Tudo-Cria, Tudo-Destrói!
Dá-me o sinal do Olho Aberto,
E da coxa áspera o toque erecto,
Ó Pã! Iô Pã!
Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã Pã! Pã.,
Sou homem e afã:
Faze o teu querer sem vontade vã,
Deus grande! Meu Pã!
Iô Pã! Iô Pã! Despertei na dobra
Do aperto da cobra.
A águia rasga com garra e fauce;
Os deuses vão-se;
As feras vêm. Iô Pã! A matado,
Vou no corno levado
Do Unicornado.
Sou Pã! Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã!
Sou teu, teu homem e teu afã,
Cabra das tuas, ouro, deus, clara
Carne em teu osso, flor na tua vara.
Com patas de aço os rochedos roço
De solstício severo a equinócio.
E raivo, e rasgo, e roussando fremo,
Sempiterno, mundo sem termo,
Homem, homúnculo, ménade, afã,
Na força de Pã.
Iô Pã! Iô Pã Pã! Pã!
http://pt.wikisource.org/wiki/Hino_a_P%C3%A3
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Lord Byron na wikipedia
Não me lembro bem,mas segundo o professor,Byron guardava o crânio de um grande amigo dele e costumava beber vinho diretamente do mesmo,...Lendas a parte,li um pouco de sua biografia e vi que muitos boatos foram formados a cerca de Byron na época.Boatos que envolvem da boemia ao incesto...Sabemos também que ele foi uma grande influência para a geração Mal do século.Enfim,vou postar o poema e tire sua própria conclusão.
Parte dessa biografia vi na wikipedia,vale a pena conferir...
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lord_Byron
Seguem abaixo o poema em inglês e a tradução de Castro Alves!!!
Lines Inscribed Upon a Cup Formed From a Skull
Lines Inscribed Upon a Cup Formed From a Skull
by George Gordon, Lord Byron
Start not—nor deem my spirit fled:
In me behold the only skull,
From which, unlike a living head,
Whatever flows is never dull.
I lived, I loved, I quaff’d, like thee:
I died: let earth my bones resign;
Fill up—thou canst not injure me;
The worm hath fouler lips than thine.
Better to hold the sparkling grape,
Than nurse the earth-worm’s slimy brood;
And circle in the goblet’s shape
The drink of Gods, than reptile’s food.
Where once my wit, perchance, hath shone,
In aid of others’ let me shine;
And when, alas! our brains are gone,
What nobler substitute than wine?
Quaff while thou canst: another race,
When thou and thine, like me, are sped,
May rescue thee from earth’s embrace,
And rhyme and revel with the dead.
Why not? since through life’s little day
Our heads such sad effects produce;
Redeem’d from worms and wasting clay,
This chance is theirs, to be of use.
http://en.wikisource.org/wiki/Lines_Inscribed_Upon_a_Cup_Formed_From_a_Skull
A uma taça feita de um crânio humano
Tradução de Castro Alves do poema Lines Inscribed Upon a Cup Formed From a Skull. Tradução publicada em Espumas Flutuantes.
Não recues! De mim não foi-se o espírito...
Em mim verás — pobre caveira fria —
Único crânio que, ao invés dos vivos,
Só derrama alegria.
Vivi! amei! bebi qual tu: Na morte
Arrancaram da terra os ossos meus.
Não me insultes! empina-me!... que a larva
Tem beijos mais sombrios do que os teus.
Mais val guardar o sumo da parreira
Do que ao verme do chão ser pasto vil;
—Taça — levar dos Deuses a bebida,
Que o pasto do reptil.
Que este vaso, onde o espírito brilhava,
Vá nos outros o espírito acender.
Ai! Quando um crânio já não tem mais cérebro
... Podeis de vinho o encher!
Bebe, enquanto inda é tempo! Uma outra raça,
Quando tu e os teus fordes nos fossos,
Pode do abraço te livrar da terra,
E ébria folgando profanar teus ossos.
E por que não? Se no correr da vida
Tanto mal, tanta dor ai repousa?
É bom fugindo à podridão do lado
Servir na morte enfim p'ra alguma coisa!...
http://pt.wikisource.org/wiki/A_uma_ta%C3%A7a_feita_de_um_cr%C3%A2nio_humano
sábado, 5 de setembro de 2009
Face da Noite
Eu comecei a escrever a primeira estrofe dessa há um tempo,
nem me lembro quando,mas acabei ela hoje...
Face da Noite
A face da noite
Admira-me com sorriso lunar
Terna e silenciosa
Horas de insônia, a me acompanhar
Minha mãe, amada, irmã
De gozo enche minha alma pouco sã
Até as tristezas da alvorada
Que por um doentio dia fostes devorada
O meu corpo clama por tuas fortunas
Na serenidade de uma sombra velada
Nas glórias do teu amor deleitarei
Como o destino, obscuro, que abraçarei
Nos confortos de tuas tênues luzes
Reluzes minha vida e no teu ar inspirar-me-ei.
Filipe Umbrae
